Tem uma mudança acontecendo no mercado de gastronomia que os arquitetos precisam entender antes dos gestores de restaurante. As pessoas pararam de sair para comer e passaram a sair para viver uma experiência. O prato continua importante, mas não é mais o produto principal. É o que confirmou a NRA Show 2026, o maior evento de food service do mundo: o que o consumidor busca hoje é vivência, conexão e atmosfera. E atmosfera, diferente de cardápio, é o que a arquitetura entrega.

Eu falo disso porque a arquitetura gastronômica é, na minha visão, um dos nichos mais bem estruturados para arquitetas que querem entrar no mercado comercial sem abrir mão de autoria e repertório. Tem algumas razões para isso. O ciclo de projeto é mais curto do que o residencial. O cliente costuma ser um empreendedor com urgência real e orçamento definido. O resultado do trabalho aparece rápido, porque a loja abre, enche ou não enche, e o projeto tem papel direto nisso. E o portfólio que você constrói nesse nicho fotografa bem, circula nas redes, e atrai o próximo cliente de forma quase orgânica.

Sketch London - martynwhite.co.uk/

Tem também um dado que fecha esse raciocínio com perfeição: a WGSN aponta que 52% dos brasileiros em 2026 preferem gastar em experiência do que em objetos físicos. O mercado de alimentação fora do lar é um dos principais beneficiários dessa virada. As pessoas estão dispostas a pagar mais por um ambiente que entregue algo além da comida. Isso não é tendência passageira: é uma reconfiguração do que o consumo de gastronomia significa. E enquanto esse consumidor existir, vai existir demanda por arquitetas que saibam projetar essa experiência.

Você já fez algum projeto de restaurante, café, padaria ou espaço de food service, mesmo que pequeno e nunca pensou em usá-lo como porta de entrada para esse mercado?
Esse projeto existe no seu portfólio e provavelmente está sendo subutilizado. Um único projeto bem documentado e bem fotografado já é argumento suficiente para começar a conversa com o próximo cliente do setor.

Se você pudesse escolher um nicho dentro da gastronomia para se especializar, qual seria: restaurante autoral, café de bairro, rede de fast casual, espaço de eventos gastronômicos?
Cada um tem um perfil de cliente, ticket, ritmo de projeto e forma de chegar até o contratante diferente. A especialização dentro do nicho é o que transforma interesse em posicionamento.

O seu cliente de food service entende que a arquitetura impacta o resultado financeiro dele, ou você ainda precisa justificar esse valor na proposta?
Se você ainda está vendendo "um espaço bonito", a conversa começa pelo lugar errado. Quando o argumento é ticket médio, permanência e retorno sobre o investimento, o cliente toma a decisão de outro lugar.

Na Berlina, eu vejo com frequência arquitetos com o projeto certo no portfólio, mas sem a narrativa que conecta quem contrata no setor. O nicho está aberto. O mercado está crescendo. E o consumidor brasileiro já decidiu que quer pagar pela experiência. Já pensou nisso?

Estou aqui para apoiar vocês nessa jornada. Se precisar de ajuda para alinhar suas ideias e estratégias, não hesite em me procurar.

Um xêro e até a próxima News 🧡

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