Essa semana eu mergulhei fundo nas tendências mais recentes de arquitetura e design Dezeen, Wallpaper, Yanko Design, os relatórios de hospitalidade de luxo e uma coisa me chamou atenção de forma genuína: o mundo inteiro parece estar desacelerando na estética.

Dezeen - De Rosee Sa director Claire Sá called on designers to "keep materials in their truest form", such as in this Cornish retreat by the studio
Fontes que acompanho com atenção convergem para a mesma leitura: o luxo em interiores em 2026 não é sobre abundância visual. É sobre contenção. Paletas quentes e discretas. Materiais que você quer tocar. Texturas que aparecem de perto. Nada que grita. Tudo que fica.
E aí eu fiquei pensando: por que essa tendência está emergindo agora?
Porque as pessoas estão exaustas de tanto estímulo visual. Redes sociais, projetos que precisam "impactar no scroll", decoração feita para foto. O mercado e aqui estou falando de hotéis de luxo, incorporadoras premium, marcas de design internacionais que acabaram de desfilar em Milão e Nova York está percebendo que o cliente mais sofisticado não quer ser impressionado. Ele quer ser tocado.
Tem uma área de pesquisa que cresceu muito nos últimos anos chamada neuroarquitetura basicamente, a ciência de como os espaços afetam o sistema nervoso. O que antes era tema de artigo acadêmico virou padrão no mercado de hotelaria de luxo em 2026: projetar não para impressionar, mas para regular. Reduzir cortisol. Melhorar o sono. Dar clareza mental. Os hotéis mais sofisticados do mundo hoje são avaliados não só pela estética, mas pelos dados biométricos dos hóspedes.
Parece óbvio quando a gente fala assim, né? Mas quantas vezes isso aparece de verdade no processo de vocês?
Algumas de vocês sabem que eu trabalho com branding para arquitetas no Studio Berlina, e frequentemente escuto o desejo de acompanhar tudo cada tendência, cada lançamento, cada projeto viral. E é compreensível. O mercado se move rápido e a sensação de ficar para trás é real. Mas o que o mercado internacional está sinalizando agora vai exatamente na direção contrária: a corrida pelo impacto imediato está perdendo para a aposta na permanência.
O Pritzker 2026 o Nobel da arquitetura foi entregue ao chileno Smiljan Radić, um arquiteto que constrói edifícios que parecem temporários, instáveis, quase inacabados. E que escondem, por trás dessa aparente fragilidade, engenharia de precisão e uma intenção muito clara. A premiação mais importante do campo escolheu, entre todos os candidatos possíveis, alguém que recusa a grandiosidade. Isso não é coincidência.
Por isso, quero convidar vocês a refletir sobre algumas questões:
O que o seu projeto está tentando provar? Impressionar o cliente, o feed, o portfólio ou realmente servir quem vai habitar aquele espaço? Quando você tira a câmera da equação, o que sobra do seu processo?
Onde está a sua contenção? O luxo mais sofisticado de 2026 não impressiona à primeira vista. Ele fica. O que no seu trabalho fica depois que a foto some do scroll?
Você está construindo para o momento ou para a reputação? A qualidade de um espaço que cuida do corpo e da mente de quem habita ali não aparece em render. Aparece na vida das pessoas. E é isso que faz a reputação de uma arquiteta.
Lembre-se: o mercado sempre vai ter uma tendência nova, um material do momento, um projeto que todo mundo vai compartilhar por dois dias. Mas o que sustenta uma carreira e uma marca é a consistência de quem você é no processo, não a velocidade com que você absorve o que vem de fora.
E a boa notícia? A arquitetura que cuida, que pensa, que escolhe com critério em vez de quantidade essa arquitetura nunca saiu de moda. Ela só demorou um pouco para ganhar o palco que merecia.
Um xêro e até a próxima News 🧡
Gabi